
A Reforma Trabalhista de 2017 foi um marco na legislação brasileira, trazendo mudanças significativas para as relações de trabalho. Seu principal objetivo foi flexibilizar as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e incentivar a criação de empregos formais. No entanto, as mudanças também geraram debates sobre possíveis prejuízos aos direitos trabalhistas. Para os jovens aprendizes, embora a reforma não tenha alterado diretamente as regras do programa de aprendizagem, ela influenciou o mercado de trabalho e as oportunidades de primeiro emprego.
Um dos principais pontos da reforma foi o fortalecimento do princípio do "negociado sobre o legislado", permitindo que acordos entre empresas e trabalhadores tivessem mais peso do que a legislação em alguns aspectos. Isso significa que categorias profissionais podem negociar diretamente pontos como jornada de trabalho, parcelamento de férias e banco de horas. Apesar de ampliar a liberdade de negociação, essa medida levantou preocupações sobre a fragilidade dos trabalhadores em setores onde os sindicatos não são tão fortes.
Outra grande mudança foi a criação do contrato intermitente, uma modalidade de trabalho em que o empregado só recebe quando é chamado para trabalhar. Essa inovação foi defendida como uma forma de formalizar trabalhos que antes eram informais, garantindo ao trabalhador direitos como férias proporcionais, 13º salário e FGTS. No entanto, críticos argumentam que essa flexibilidade pode dificultar a estabilidade financeira dos trabalhadores, já que eles não têm garantia de uma renda fixa mensal.
O Programa de Aprendizagem foi criado para inserir jovens no mercado de trabalho sem comprometer sua formação educacional. Ele obriga empresas de médio e grande porte a contratarem um percentual de aprendizes, garantindo que esses jovens adquiram experiência profissional enquanto estudam. Para participar do programa, o jovem precisa ter entre 14 e 24 anos, estar matriculado em uma instituição de ensino e cumprir um contrato que inclui tanto a parte prática, realizada na empresa, quanto a teórica, oferecida por uma entidade formadora.
Os aprendizes têm uma jornada diferenciada, limitada a 6 horas diárias para aqueles que ainda estão no ensino fundamental e podendo chegar a 8 horas diárias para quem já concluiu essa etapa, desde que o período excedente seja destinado à formação teórica. Essa medida evita que o trabalho comprometa os estudos, garantindo que o jovem tenha tempo para se qualificar.
Além disso, o jovem aprendiz tem direitos trabalhistas garantidos, como salário proporcional ao tempo trabalhado, 13º salário, FGTS com alíquota reduzida (2%), além de férias coincidentes com o período escolar. Esses direitos tornam o programa uma alternativa segura para o primeiro emprego, protegendo os jovens da exploração do trabalho infantil e assegurando que sua inserção no mercado seja acompanhada de capacitação profissional.
Por outro lado, o jovem aprendiz também tem obrigações, como manter boa frequência escolar, cumprir as atividades teóricas e práticas e respeitar as normas da empresa onde trabalha. O não cumprimento dessas regras pode levar à rescisão do contrato de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento profissional do jovem.
A Reforma Trabalhista, ao flexibilizar as regras do mercado de trabalho, pode ter impactos indiretos no programa de aprendizagem. Com o fortalecimento de contratos mais flexíveis, como o intermitente, algumas empresas podem optar por essa forma de contratação em vez de investir na capacitação de aprendizes. Isso pode afetar a geração de oportunidades para os jovens que buscam ingressar no mercado formal.
Outro efeito possível da reforma é o enfraquecimento dos sindicatos, que antes tinham um papel fundamental na proteção dos trabalhadores, incluindo aprendizes. Com a redução da contribuição sindical obrigatória, muitos sindicatos perderam recursos e, consequentemente, capacidade de negociação. Isso pode resultar em menos proteção para trabalhadores iniciantes que ainda não têm conhecimento sobre seus direitos.
Diante dessas mudanças, é fundamental refletir sobre o futuro do trabalho para os jovens. A flexibilização das regras beneficia as empresas, mas será que os jovens terão mais ou menos oportunidades de emprego no futuro? O contrato intermitente pode ser vantajoso ou prejudicial para quem está ingressando no mercado? O Programa de Aprendizagem precisa ser ampliado para garantir que mais jovens tenham acesso ao primeiro emprego de forma segura? Essas questões são essenciais para compreender os desafios e impactos da Reforma Trabalhista na vida dos jovens brasileiros.