
A contabilidade é uma ferramenta essencial para a gestão financeira de qualquer empresa, mas muitos gestores acabam ignorando sua importância, o que pode levar a sérios problemas financeiros. A falta de conhecimento contábil resulta em decisões equivocadas, colocando em risco a sustentabilidade do negócio. Um erro muito comum é confundir faturamento com lucro. Muitas empresas acreditam que todo o dinheiro que entra no caixa representa ganho real, sem considerar os custos operacionais, impostos e despesas fixas. Foi exatamente isso que aconteceu com a rede de lojas de roupas Forever 21, que expandiu suas operações sem um planejamento financeiro sólido. Apesar de um faturamento elevado, a empresa não controlou adequadamente seus custos e acabou pedindo falência em 2019.
Outro problema recorrente entre gestores que não se atentam à contabilidade é a falta de controle sobre o fluxo de caixa. Isso significa que, mesmo tendo lucro em determinados períodos, a empresa pode enfrentar dificuldades para pagar suas obrigações no curto prazo. Um exemplo claro disso é o caso da Avianca Brasil, que operava com margens lucrativas, mas não gerenciava bem seu capital de giro. Quando chegou o momento de pagar suas dívidas relacionadas ao leasing de aeronaves, a empresa não tinha recursos disponíveis e entrou em recuperação judicial em 2018. Esse tipo de situação pode ser evitado por meio do acompanhamento constante da liquidez corrente, um indicador que mede a capacidade da empresa de pagar suas obrigações de curto prazo.
A falta de diferenciação entre custos fixos e variáveis também prejudica a tomada de decisões estratégicas. Muitas empresas precificam seus produtos ou serviços sem considerar quais custos são alteráveis conforme a produção e quais são despesas permanentes. A Estrela, tradicional fabricante de brinquedos, sofreu grandes perdas financeiras nos anos 1990 porque manteve altos custos fixos mesmo em períodos de baixa demanda. Como consequência, a empresa acumulou estoques elevados e perdeu competitividade para concorrentes mais eficientes. Para evitar esse erro, é essencial classificar corretamente os custos e revisar constantemente a estrutura de despesas fixas.
Os gestores também costumam negligenciar os impactos dos tributos na precificação dos produtos e serviços. Muitas empresas estabelecem preços de venda sem incluir os impostos devidos, o que pode levar a uma redução inesperada da margem de lucro. Um caso emblemático ocorreu em 2016, quando diversas empresas do setor de tecnologia sofreram prejuízos significativos por não considerarem o aumento do ICMS para e-commerce, que variava conforme o estado de destino. Aquelas que não ajustaram seus preços a tempo acabaram enfrentando graves dificuldades financeiras. Isso reforça a importância de um planejamento tributário eficiente e da consulta frequente a um contador.
A história empresarial está repleta de exemplos de companhias que fracassaram por erros contábeis e financeiros. A Kodak, gigante do setor fotográfico, não apenas falhou em se adaptar às novas tecnologias, mas também manteve uma estrutura de custos rígida sem garantir receitas compatíveis. Esse erro estratégico levou a empresa a pedir falência em 2012. Outro caso famoso é o da Americanas, que, em 2023, revelou um rombo contábil de R$ 20 bilhões, resultado de falhas na contabilização de dívidas e pagamentos a fornecedores. Esse escândalo gerou desvalorização na bolsa de valores e impactou a confiança do mercado na companhia.
O setor varejista também tem exemplos de falhas contábeis catastróficas. A livraria Saraiva, que já foi uma das maiores do Brasil, entrou em crise porque expandiu suas lojas físicas sem considerar o impacto do crescimento do e-commerce. Além disso, a empresa operava com um fluxo de caixa negativo, ou seja, gastava mais do que recebia. Em 2018, sem capital para honrar seus compromissos financeiros, a Saraiva pediu recuperação judicial. Esse tipo de situação poderia ter sido evitado com um controle rigoroso dos indicadores financeiros, como margem de lucro líquida, endividamento e ciclo financeiro.
Diante desses exemplos, fica claro que o conhecimento contábil não pode ser ignorado pelos gestores. Para evitar problemas financeiros, é essencial adotar boas práticas de controle e análise contábil. Uma das estratégias mais eficazes é acompanhar um checklist financeiro que inclua a separação entre faturamento e lucro, o monitoramento do fluxo de caixa, a precificação correta considerando impostos e a utilização de indicadores como liquidez corrente e margem EBITDA. Com essas ferramentas, os gestores podem tomar decisões mais informadas e seguras.
Além disso, a consulta regular a um contador ou o uso de softwares de gestão financeira pode ser um diferencial para empresas que desejam crescer de forma sustentável. Ferramentas automatizadas ajudam a organizar o fluxo de caixa, projetar despesas futuras e analisar relatórios contábeis com mais precisão. Empresas que investem em tecnologia contábil conseguem prever riscos financeiros e ajustar suas estratégias antes que problemas graves aconteçam.
Em um cenário empresarial cada vez mais competitivo, o conhecimento contábil se torna um fator decisivo para a sobrevivência e o sucesso dos negócios. Os erros financeiros podem custar caro e, muitas vezes, levar empresas à falência. Portanto, gestores que desejam garantir a longevidade de suas organizações precisam compreender os princípios básicos da contabilidade e aplicá-los no dia a dia. Com um bom planejamento e o acompanhamento correto dos indicadores financeiros, é possível evitar armadilhas comuns e construir uma empresa financeiramente saudável e lucrativa.