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Técnicas de Avaliação de Riscos (Probabilidade e Impacto)

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A etapa de identificação de riscos, embora essencial, não é suficiente para uma gestão eficaz. Uma vez que os riscos foram mapeados, é necessário dar um passo além: avaliar esses riscos. A avaliação permite entender quais deles têm maior potencial de comprometer os objetivos da organização ou de um projeto e, portanto, precisam ser tratados com mais urgência.

A avaliação de riscos se apoia principalmente em dois critérios fundamentais: probabilidade e impacto. Esses conceitos, apesar de simples, são extremamente poderosos quando usados de forma estruturada. Eles ajudam a transformar listas de riscos em informações úteis para tomada de decisão.

A probabilidade está relacionada à chance de um risco ocorrer. Em outras palavras, é a frequência ou a possibilidade de que o evento realmente aconteça. Alguns riscos são muito prováveis, como pequenos atrasos em processos logísticos, enquanto outros são raros, como catástrofes naturais. Entender essa diferença é crucial para não superestimar ou subestimar os riscos.

Já o impacto diz respeito ao efeito que o risco pode causar caso se concretize. Ele está diretamente ligado aos objetivos da organização, podendo afetar prazos, custos, qualidade, imagem ou até mesmo a sobrevivência do negócio. Um risco pode ter baixa probabilidade de ocorrência, mas se o impacto for extremamente alto, ele ainda assim deve ser tratado com seriedade.

Um exemplo simples ajuda a entender essa relação. Imagine uma empresa de construção civil. O atraso na entrega de materiais pode ter alta probabilidade, já que problemas logísticos são comuns, e também alto impacto, pois pode comprometer a entrega da obra. Já um terremoto pode ter baixíssima probabilidade, mas impacto enorme. Em ambos os casos, é preciso avaliar como a organização irá lidar com esses cenários.

Para tornar essa análise mais prática, utilizam-se escalas de avaliação. Essas escalas podem ser qualitativas ou numéricas, dependendo da necessidade da organização. As escalas qualitativas usam termos simples, como baixo, médio e alto, para indicar níveis de probabilidade e impacto. São fáceis de aplicar e não exigem cálculos, sendo muito úteis em situações que pedem rapidez e objetividade.

Por outro lado, as escalas numéricas permitem uma análise mais detalhada. Geralmente, variam de 1 a 5, onde 1 representa probabilidade ou impacto muito baixo e 5 representa muito alto. Esse formato facilita a comparação entre diferentes riscos e possibilita a construção de ferramentas visuais, como gráficos e matrizes.

A partir dessas escalas, uma das ferramentas mais usadas na gestão de riscos é a matriz de probabilidade e impacto. Essa matriz cruza os dois critérios em um quadro simples, geralmente dividido em quadrantes. Assim, os riscos podem ser posicionados de acordo com sua chance de ocorrer e o impacto que trariam. Os riscos localizados no quadrante de alta probabilidade e alto impacto são imediatamente reconhecidos como os mais críticos.


Essa matriz ajuda não apenas a visualizar, mas também a priorizar os riscos. Nem todos os riscos identificados exigem a mesma atenção. Alguns podem ser apenas monitorados, enquanto outros pedem planos de ação imediatos. Dessa forma, a organização não desperdiça recursos tentando tratar tudo com a mesma intensidade, mas foca naquilo que realmente pode comprometer os resultados.

A priorização de riscos é um aspecto central nessa etapa. Quando tudo é visto como igualmente importante, corre-se o risco de paralisar o processo de gestão ou de alocar mal os recursos disponíveis. Concentrar esforços nos riscos de maior probabilidade e impacto é uma forma de tornar a gestão eficiente e evitar surpresas desagradáveis.

Vale lembrar que riscos de baixa probabilidade e baixo impacto podem ser registrados e acompanhados, mas dificilmente justificam grandes investimentos em prevenção. Já riscos de alta probabilidade e baixo impacto ou de baixa probabilidade e alto impacto precisam de análise caso a caso, pois em determinadas situações podem exigir ações preventivas.

Em resumo, a avaliação de riscos é um processo que organiza e hierarquiza as incertezas identificadas. Ao analisar a probabilidade de ocorrência e o impacto que cada risco pode trazer, as organizações criam um mapa claro de prioridades. Esse mapa orienta a tomada de decisões e fortalece a capacidade de resposta diante de situações adversas.

Assim, podemos dizer que avaliar riscos não é apenas um exercício técnico, mas também uma forma de estratégia organizacional. Ele ajuda a transformar informações dispersas em conhecimento útil e direcionado, aumentando a resiliência e a segurança de qualquer projeto ou operação.