
A arquitetura de Business Intelligence (BI) é composta por um conjunto de elementos técnicos e lógicos que organizam como os dados são extraídos, processados, armazenados e finalmente apresentados ao usuário final. Ter uma arquitetura bem estruturada é essencial para que os dados possam ser utilizados com eficiência, garantindo que os processos de análise e tomada de decisão sejam baseados em informações confiáveis.
De maneira geral, essa arquitetura pode ser dividida em três grandes camadas. A primeira é a camada de fonte de dados, que reúne todas as origens de informação utilizadas pela empresa: sistemas operacionais (como os de vendas e estoque), planilhas, APIs, dados da internet, entre outros. A segunda é a camada de processamento, onde ocorre a transformação e o tratamento dos dados por meio de processos como o ETL (que explicaremos a seguir). A terceira é a camada de apresentação, que envolve o uso de ferramentas de BI para exibir os dados de forma visual, através de painéis interativos e relatórios.
Para entender melhor como esses dados circulam na arquitetura de BI, é fundamental diferenciar três conceitos: banco de dados operacional, data warehouse e data mart. Cada um deles tem um papel específico dentro da estrutura de dados da organização e serve a diferentes finalidades.
O banco de dados operacional é aquele utilizado no dia a dia das operações da empresa. Ele registra, em tempo real, todas as transações realizadas: vendas, cadastros, pedidos, atualizações de estoque, entre outras atividades rotineiras. É rápido e eficiente para as operações cotidianas, mas não é o ideal para fazer análises históricas ou consultas complexas.
Já o data warehouse funciona como um grande repositório central de dados históricos. É onde os dados de diferentes áreas da empresa são integrados, organizados e armazenados de forma otimizada para análise. Seu principal objetivo é permitir o cruzamento de informações e a realização de análises mais profundas, com foco em apoiar a tomada de decisões estratégicas.
O data mart, por sua vez, é como um “mini data warehouse” focado em uma área ou necessidade específica da empresa, como o setor de marketing ou recursos humanos. Ele permite que os dados mais relevantes para aquele departamento fiquem organizados de maneira independente, facilitando análises mais rápidas e específicas.
Um elemento essencial que conecta todas essas camadas é o processo conhecido como ETL, sigla para Extract, Transform, Load (em português: Extrair, Transformar e Carregar). O ETL é responsável por buscar os dados nas suas fontes originais, transformá-los de acordo com padrões e regras definidos, e depois carregá-los para os repositórios de análise, como os data warehouses ou data marts.
A etapa de extração coleta os dados brutos, que podem vir de várias fontes internas ou externas. Na fase de transformação, os dados passam por processos de limpeza (remoção de duplicidades ou erros), padronização (como datas e formatos), e enriquecimento (como cálculos e agregações). Por fim, na fase de carga, os dados prontos são armazenados nos sistemas que serão utilizados para análise.
Sem esse processo de ETL bem executado, os dados utilizados nas decisões podem estar incorretos, incompletos ou desatualizados, comprometendo todo o esforço de BI. Por isso, o ETL é considerado um dos pilares mais importantes da inteligência de negócios.
Com os dados organizados e prontos para uso, entram em cena as ferramentas de BI. Essas ferramentas são sistemas especializados que permitem criar relatórios, gráficos, mapas e painéis interativos com os dados disponíveis. Elas facilitam a análise de indicadores, ajudam a identificar padrões e tornam os dados acessíveis a diferentes perfis de usuários.
Entre as ferramentas mais populares estão o Power BI (da Microsoft), o Tableau, o Qlik Sense e o Google Looker Studio (antigo Google Data Studio). Cada uma possui suas características e pontos fortes, mas todas têm o objetivo comum de permitir que as empresas visualizem e interpretem seus dados com facilidade e precisão.
Dentro dessas ferramentas, um dos recursos mais utilizados são os painéis de indicadores, também chamados de dashboards. Esses painéis mostram, de forma clara e resumida, os principais indicadores de desempenho de uma empresa (os chamados KPIs – Key Performance Indicators). Podem exibir, por exemplo, o volume de vendas do mês, o nível de estoque, o desempenho de campanhas de marketing, entre outros.
Além dos dashboards, também é possível gerar relatórios automatizados, que são documentos atualizados periodicamente com base em dados em tempo real. Esses relatórios podem ser programados para serem enviados por e-mail, acessados por links, ou até integrados a sistemas internos da empresa, mantendo os gestores sempre informados sem depender de processos manuais.
Em resumo, a arquitetura e as ferramentas de BI são a espinha dorsal de todo o processo de análise de dados dentro de uma organização. Quando bem estruturadas, permitem que os dados certos cheguem às pessoas certas no momento certo. E isso faz toda a diferença em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo e orientado por informação.